Greve da Frente Comum deixa escolas fechadas

Só o setor da saúde escapa ao protesto de hoje que pode afetar escolas, serviços públicos, câmaras, tribunais ou recolha de lixo.

Os sindicatos da Frente Comum marcaram greve da Função Pública para esta quinta-feira, retomando os protestos que já tinham estado agendados para março do ano passado, mas que foram adiados pela pandemia.

Entre os mais afetados estarão as escolas (pessoal não docente) e os serviços públicos, como as repartições de Finanças ou da Segurança Social. Entre os serviços abrangidos encontram-se ainda centros de emprego, autarquias, museus, tribunais, serviços do cartão do cidadão e registo criminal, além da recolha do lixo efetuada por trabalhadores dos municípios. Todos os setores da Administração Pública estarão com pré-aviso de paralisação, com exceção dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde, dos centros de vacinação e de testagem à covid-19.

“Não fizemos greve durante a pandemia. Os trabalhadores mantiveram-se a trabalhar, solidários com a situação, sem fazer qualquer greve. Por isso, temos a expectativa de que os trabalhadores vão aderir em massa”, sintetizou Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum.

As reivindicações dos trabalhadores mantêm-se “desde há vários anos”: aumento geral dos salários, valorização das carreiras, correção da Tabela Remuneratória Única, revogação do SIADAP e a defesa dos serviços públicos. Os sindicatos acusam o Executivo de António Costa de “incapacidade negocial”, por isso partiram para a greve.

“Este Governo tem tido a habilidade de dizer que está a negociar, mas depois não negoceia. Tivemos uma reunião sobre o Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP) em que não apresentaram uma única proposta, portanto nada foi negociado, foi uma mera conversa”, resumiu Sebastião Santana.

A marcar o dia, os sindicatos representativos dos vários setores da Função Pública convocaram os trabalhadores para se concentrarem, a partir das 15 horas, no Largo da Ajuda, em Lisboa. À mesma hora, estará também a decorrer o Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda.

A última greve dos trabalhadores da Função Pública realizou-se no final de janeiro de 2020.