A diretora-geral da Saúde disse hoje ser impossível impor regras de comportamento a crianças pequenas, defendendo que cabe aos adultos “fazer tudo” para minimizar o risco de contágio quando estão a brincar e a conviver.

As creches são “um sítio para brincar” e as crianças são “muito pequeninas e, portanto, não é possível” impor-lhes regras de comportamento, disse Graça Freitas na conferência de imprensa diária sobre a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal

No entanto, sublinhou, “devemos fazer tudo, mas tudo, que os adultos e o espaço permitirem para minimizar o risco das suas brincadeiras”.

Graça Freitas deu vários exemplos de como o fazer, como “desdobrar turmas, manter o mínimo possível de meninos dentro de uma sala”.

“Não garante que eles não se juntem”, mas permite que se crie “uma espécie de distanciamento social alargado”.

Por outro lado, apontou, “sabemos que na brincadeira eles não podem deixar de se juntar, mas podem deixar os sapatos à porta” e na hora de dormir os seus colchões devem ficar a uma distância de segurança para não passarem “gotículas para o seu coleguinha do lado” enquanto dormem.

Também se pode pedir que cada menino tenha o seu próprio colchão e que “as refeições que são tomadas tenham também espaçamento entre as salas, que não sejam todas ao mesmo tempo e que tenham circuitos separados”, exemplificou Graça Freitas.

Como os meninos não podem utilizar uma máscara, “os adultos terão de fazê-lo, obviamente, sempre para minimizar a probabilidade de contágio de um adulto para uma criança”, exemplificou ainda.

Graça Freitas sublinhou que as regras que foram apresentadas há poucos dias numa sessão pública eram apenas ainda para ser discutidas, para ouvir pareceres de associações de pais e de outros setores da atividade.

A Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI) já manifestou “profunda preocupação” sobre as condições de reabertura de creches dentro de uma semana e diz que as recomendações para essa abertura são “profundamente desadequadas”.

O país entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.
Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.