A Administração da Livraria Lello lançou, esta sexta-feira, uma carta aberta, dirigida aos líderes mundiais para que “tomem medidas excecionais para salvar” as livrarias. Na missiva, a Livraria Lello aponta os exemplos do governo belga, que “manteve abertas as Livrarias durante a quarentena”, e da Maire de Paris, que “considerou os Livros como bens de primeira necessidade”. “Atrevemo-nos a pedir aos governos de todo o mundo que tomem medidas para salvar estes espaços de sobrevivência intelectual”, refere-se na carta aberta, na qual se faz, também, um apelo à Unesco, “para que veja o Livro como um bem, simultaneamente, de primeira necessidade e um objeto em vias de extinção”.

Face às notícias recorrentes sobre o encerramento de livrarias em todo o Mundo, a Lello aponta o exemplo da Livraria Shakespeare & Company, em Paris, e da Livraria Strand, em Nova Iorque, que já fizeram apelos desesperados. “Sabemos que a situação é angustiante, porque também a sentimos, e também a estamos a combater”, alerta a Administração da Livraria Lello, recordando que o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, citou, no seu discurso de vitória, o Livro do Eclesiastes. “É tempo de reconhecer que as cidades precisam das livrarias para se curarem do vírus”, defende a Livraria Lello.

Amanhã, alude a carta aberta, “não haverá Livrarias nas cidades se não percebermos a mensagem que nos deixou a Prémio Nobel polaca Wislava Szimborska: «Quando escrevo a palavra futuro, as primeiras sílabas já pertencem ao passado»”.

No atual contexto de crise mundial, a Livraria Lello considera que esta é a hora em que “os governos podem fechar para sempre as Livrarias, ou saber abri-las às novas formas de vida para combater a pandemia”, acreditando que “os verdadeiros estadistas não se limitam ao Twitter”. “Chegou aquele momento da crise em que os governos sábios podem descobrir soluções”, aponta.

Aliás, numa altura em que as livrarias e os livros estão dependentes da forma como cada um dos países e seus governantes decidirem agir perante as circunstâncias, a Livraria Lello vaticina o início de um futuro romance distópico, caso não sejam tomadas medidas: “«Quando reconquistámos as ruas da cidade já todas as livrarias tinham desaparecido…»”.