Observatorio Nacional Violência contra Atletas_imagem site ISMAI

O Observatório Nacional da Violência contra Atletas (ObNVA) – https://obnva.ismai.pt – é uma iniciativa do Instituto Universitário da Maia/Maiêutica em colaboração com a Associação Plano i e que foi apresentado em setembro. Constitui-se como uma ferramenta para contribuir para um Desporto “mais saudável e mais seguro”.

Encontra-se agora numa fase inicial de divulgação pelos meios de comunicação social, redes sociais e federações e coletividades desportivas, no sentido de fazer chegar a toda a população, com particular incidência aos desportistas e todos os agentes ligados ao desporto, a mensagem de que é seguro contactar o observatório de reportar situações de violência contra atletas.

O ObNVA conta ainda com diversos parceiros: Comité Olímpico de Portugal, Instituto Português do Desporto e Juventude, Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto e Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Está ainda em elaboração um protocolo de parceria com o Centro Interdisciplinar de Estudos de Género e com a Confederação de Treinadores.

São embaixadores deste Observatório os atletas olímpicos João Rodrigues (vela) e Diana Gomes (natação).

O ObNVA é uma plataforma de relato anónimo e confidencial de situações de violência contra atletas diretamente vivenciadas ou testemunhadas. Para além do relato, o respondente pode, se assim o desejar, solicitar apoio para uma eventual denúncia. Esta plataforma encontra-se sediada no website do Observatório cujo link é: https://obnva.ismai.pt

A iniciativa é do ISMAI, como sublinha em entrevista ao Primeira Mão, Cláudia Pinheiro, uma das quatro docentes e investigadoras do Instituto Universitário da Maia, responsável pela criação e desenvolvimento desta plataforma, em conjunto com Teresa Figueiras, Sofia Neves e Janete Borges.

Cláudia Pinheiro docente e investigadora do ISMAI_imagem DR

Cláudia Pinheiro destaca que é completamente seguro qualquer atleta (no ativo ou não) ou dirigente relatar uma “situação que percecionam como violenta”, pois tudo funciona num “formato anónimo e confidencial” sendo assim um “espaço seguro”.

No final do preenchimento de um formulário onde a pessoa relata a situação, “só deixarão o contacto se assim o desejarem e tiverem necessidade de algum tipo de apoio psicológico ou jurídico”. Cláudia Pinheiro explica que o Observatório não faz esse apoio diretamente, mas “faremos o encaminhamento para as entidades competentes”, explicando que até ao momento, cerca de dois meses após o lançamento da plataforma, apenas surgiram consultas por curiosidade, não tendo as pessoas concluído o preenchimento dos formulários.

As investigadoras querem “fazer o mapeamento deste fenómeno da violência contra atletas”, que sabem que “existe”, mas que se encontra “silenciado”. É que, segundo Cláudia Pinheiro, “este tipo de situações de violência são frequentemente normalizadas na cultura desportiva”, algo com que o ObNVA quer romper, contribuindo para estabelecer “limites para lá dos quais não se pode passar”.

O Observatório não tem apenas o objetivo de estudo, pretende num horizonte futuro estabelecer dados, que visem suportar o aparecimento de algum tipo de medidas, no sentido de proteger crianças e jovens na prática desportiva, e por outro lado, dar algum contributo na formação de treinadores, que são agentes fundamentais aos quais queremos chegar, mas tendo evidências”.

De uma forma resumida, o Observatório Nacional da Violência contra Atletas (ObNVA) tem por objetivos:

Fazer o levantamento de situações de violência contra atletas vividas diretamente ou testemunhadas;

Caracterizar as situações de violência contra atletas, na ótica da compreensão das suas tipologias, dinâmicas, consequências e implicações;

Encaminhar as pessoas que o desejarem para as autoridades competentes (p.ex., órgãos de polícia, serviços de atendimento e apoio a vítimas);

Contribuir para o desenvolvimento de estudos científicos no domínio em apreço;

Contribuir para a otimização das políticas e medidas de prevenção e combate à violência contra atletas.

Os responsáveis pelo ObNVA acreditam na importância que esta ferramenta, bem como o trabalho, que está a ser desenvolvido pelos parceiros, têm para “um desporto mais saudável, mais seguro, mais ao serviço das crianças e dos jovens, potenciando o seu desenvolvimento positivo”.

As investigadoras do ISMAI

Cláudia Pinheiro e Teresa Figueiras, docentes e investigadoras do ISMAI, estão mais ligadas às Ciências do Desporto e ambas antigas atletas, conhecem bem a “realidade do fenómeno desportivo”.
Janete Borges, também docente no ISMAI, tem formação na área da Matemática com especialidade em Estatística, é uma das investigadoras que irá apoiar o tratamento da informação.
Além de docente no ISMAI é também presidente da Associação Plano i, a Sofia Neves, que sendo da área da Psicologia, traz para o grupo de investigadoras um vasto conhecimento sobre violência noutros contextos e noutros observatórios.