Marcelo em Fátima

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou este sábado que as manifestações “são legítimas” e um “direito democrático”, mas que devem ser feitas “sem entrar numa espiral de violência”, referindo-se aos confrontos com a polícia no protesto de sexta-feira no Porto.

O chefe de Estado falou aos jornalistas durante a visita ao Santuário de Fátima, na manhã deste sábado, aproveitando para deixar uma palavra de agradecimento à Igreja Católica. “Queria assinalar e agradecer à Igreja Católica, que tem sabido interpretar os valores da vida e da saúde. Tem sido exemplar nas celebrações, todas elas, especialmente aqui em Fátima, quando abdicou da celebração do 13 de Maio e da forma como foi assinalado o 13 de Outubro. É um serviço de valores fundamentais”, afirmou.

Relativamente às manifestações do setor da restauração que têm acontecido um pouco por todo o país, Marcelo recordou uma mensagem que tinha deixado quando decretou o estado de emergência pela primeira vez: “Disse uma coisa que as pessoas não retiveram: que ia haver cansaço, que ia haver fadiga, frustração. Há muitos desempregados, há oito meses sem trabalho. Outros com desgostos familiares, com a perda de entes queridos. Ninguém está feliz nem satisfeito. As manifestações são uma expressão em democracia desse estado de espírito dos portugueses e, por isso, são legítimas. Só podemos pedir que essas manifestações sejam feitas sem violência, não podemos ter crises políticas, nem situações de violência. É um esforço a fazer ao serviço da solidariedade”, apelou o presidente da República.

“A manifestação é legítima, mas há uma necessidade de ir olhando a cada passo e apelo a que não se quebrem os laços de solidariedade na sociedade portuguesa. Isso é fundamental”, acrescentou Marcelo, lembrando que o “o direito à manifestação é democrático” e deixando um alerta. “A pior coisa que podemos ver é um confronto entre quem quer ver uma reabertura rápida da sociedade e quem tem medo dessa reabertura. Não podemos ter essa divisão. Temos de evitar isto. Que haja manifestação, mas sem entrar numa espiral de violência”, ressalvou.

Quanto às medidas que foram decididas no novo estado de emergências e as novas restrições que possam vir a ser impostas, o presidente da República garantiu que “aquilo que for decidido no estado de emergência será igual para todos”. “Aquilo que é determinado para uns, é determinado para todos. O que é desejável é que seja para todos, naturalmente respeitando a lei”, concluiu.