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Após um ano, histórias e experiências vividas na primeira pessoa pelos maiatos.

Nesta crónica, alguns casos de maiatos que foram prejudicados no acesso aos serviços de Saúde. Ainda assim, a maioria compreende a vida assoberbada dos profissionais de saúde em geral.
Não é com revolta que os nossos entrevistados falam dos serviços de Saúde, apesar de ao longo do último ano de pandemia a vida de pessoas com doenças como o cancro não ter sido nada fácil.

Ana Paula Santos, de 57 anos, viu-se a braços com uma doença oncológica que a precipitou para uma reforma por invalidez e sujeita a exames periódicos e a medicação diária.

Apesar de não recorrer muito ao SNS – Serviços Nacional de Saúde, esta maiata, que é acompanhada no IPO do Porto, viu exames serem adiados e as consultas terem que ser realizadas por telefone.

“No ano passado por esta altura e até setembro, tive consultas por telefone, em que era acompanhada pelos meus médicos de especialidade, quando tinha algum problema com medicação, ligava e era atendida telefonicamente. A nível de exames, também os vi adiados, mas entretanto já os consegui realizar”, contou-nos Ana Paula.

Já Rita Vieira, de Moreira, ficou preocupada a dobrar com os seus três filhos. Os jovens têm diferentes patologias e são acompanhados em consultas de especialidades como oftalmologia, psicologia, endocrinologia e nutrição.

Mas esta mãe viu as diversas consultas serem anuladas ao longo de meses sem nunca mais terem sido remarcadas.

“Desde o ano passado que estou à espera” pela remarcação das consultas, refere Rita Vieira, que vê com preocupação o atraso no acompanhamento da Saúde dos filhos, frisando que há aspetos que vão ficar para trás. “Há coisas que vão perder, como é o caso da visão, porque todos anos, os meus filhos aumentavam a graduação dos óculos, mas há um ano que esperam por novas consultas”, explica a mãe de dois rapazes gémeos que frequentam o 12º ano e de uma menina que está no 9º ano de escolaridade.

Esta mãe já conseguiu que os filhos fossem seguidos pelo médico de família depois do verão, embora admita que não consegue o mesmo acompanhamento que nas consultas de especialidade para os problemas específicos dos filhos.

Ainda assim compreende o esforço do médico de família, referindo que este “faz tudo o que pode” para dar a melhor assistência possível aos utentes. Sublinha mesmo “eles não podem fazer milagres”, referindo-se aos médicos.

No caso de Ivone Máximo, de 79 anos, residente na Maia, viu algumas consultas serem adiadas, o que foi colmatado com o facto de nos últimos meses já ter conseguido ser atendida pelo médico de família.

Já teve que ir a algumas consultas de especialidade e, como não conseguiu através do SNS, procurou nos serviços privados e pagou as consultas do seu bolso.

Ivone Máximo diz que “tinha mesmo que ser, porque era um problema num ouvido e com a minha idade não posso esperar muito”. De qualquer forma, esta idosa compreende que os profissionais de Saúde não têm mãos a medir e mostra simpatia pela classe.

Ivone Máximo é viúva e reside na Maia, vive sozinha e diz estar cansada dos confinamentos. Queixa-se principalmente da “solidão”: “com o confinamento não posso sair tanto e estar sempre em casa cansa”.

Há menos visitas dos filhos e dos netos, o que também contribui pra uma sensação de maior solidão, explica esta maiata.

Quem ficou muito satisfeito com os profissionais de Saúde foi José Ferreia, delegado especial da Cruz Vermelha da Maia. Esteve internado 4 dias, no Hospital de S. João, por ter contraído Covid19. Afirma que o trabalho dos profissionais foi “incansável” e digno “de se louvar”.